Quem somos nós?

[Você pode – e eu recomendo – que leia este texto ao som de Black Hole Sun]

“Eu acredito na premissa de que, só somos nós realmente, de verdade, de cara lavada e coração limpo, quando estamos felizes de verdade, quando sorrimos até com os olhos, quando a gente ta sem medo, sabe? Quando nada mais importa.”

A gente se conhece.

Se conhece quanto? Conhece a pele, o tato, o hálito, o paladar. Conhece o sono, o riso, o sorriso. Conhece na cama, no quarto. Conhece o carro, as roupas, os perfumes, conhece parte da casa e conhece alguns amigos.

Mas a gente não se conhece. Não de verdade.

Não conhece quem somos com a família, com os amigos, com os sobrinhos e com os bebês. Principalmente com os bebês, porque é com eles que a gente descobre o quanto somos bobos. Todo mundo vira um bobo com um bebê, você não? Porque seria uma pena.

Você não me conhece, e eu não te conheço.

Não me conhece feliz capaz de soltar palavrões e rir e falar alto que até o segurança do shopping ouve sem querer como foi a noite passada. Foi boa e olha, se você sentar aqui vai rir tanto que vai doer a barriga. Isso você não conhece. Não conhece o meu lado cantora de chuveiro, ou de carro. O de carro com certeza é o melhor. Não me conhece feliz de verdade. Não conhece meu vocabulário chulo quando to feliz de verdade, ou quando to com os amigos no cinema ou lá em casa quando eles foram dormir lá e a gente dividiu a cama e a gente riu tanto aquela noite que eu queria que você tivesse rido junto. Não conhece a casa toda nem o quarto novo e os futuros quadros que eu pretendo colocar por lá. Não conhece eu brigona, fazendo papel de irmã, de filha, de tia. Não conhece quem sou eu com medo de avião quando fui naquela minha viagem sozinha, e não conhece o meu sorriso de felicidade com a cabeça encostada no vidro vendo as nuvens lá fora por mais de uma hora.

Quem sou quando tô feliz de verdade, você não sabe.

E eu não sei também quem é você e como é quando o futebol chega na segunda a noite e teu time ta perdendo ou ganhando. Não sei como é a sua cara de felicidade quando faz um gol, nem como é teu sorriso com teus amigos. Não sei como é você doente, resfriado. Não sei quem você é com a família e os amigos e não sei o quanto você ri deles e de si próprio. Não sei o seu vocabulário chulo, se é que você tem um, mas todo mundo tem. Não sei quem é você com teus sobrinhos ou quem é você fazendo papel de irmão. Não sei quem é você quando ri até a barriga doer ou quem é você dançando feito um bobo por ai. Você tem cara de quem dança como um bobo só pra ver sorrisos por ai. Eu não te conheço feliz, fora do teu quarto e da meia dúzia de palavras que trocamos quando procuro te causar algum sorriso. Não conheço como é você com medo ou quem é você bêbado.

A gente nunca ficou bêbado junto, nem cantou alto no carro e deu risada de como tudo era engraçado. A gente nunca dançou junto até os pés doerem. Nunca saiu com os amigos ou ficou em casa vendo um filme. Nunca saiu com a família e com os sobrinhos, e nunca se deu a chance de saber como a gente era sem máscara, sem medo. A gente nunca se deu a chance de se conhecer feliz, sem medo de mostrar pro outro e pro mundo quem era.

A gente se conhece.

Se conhece quanto? Não o bastante pra saber quem somos quando estamos felizes de verdade.

A gente não se conhece sem medo.

tathi

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Ser teu erro mais bonito

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[Pra ler ao som de Life of the Party – Shawn Mendes]

Te pego dia desses depois do trabalho, te levo pra casa e te faço cafuné vendo qualquer comédia romântica ou o que você quiser. A gente fala das coisas que fez durante esse tempo sem se ver e eu conto como cada dia foi de saudade d’ocê, pequena. Você me conta do trabalho que tá uma droga e como você pensa vez ou outra se fez a escolha certa. Olha, você me faz pensar que cada escolha deve ser certa, já que agora eu to aqui contigo, meu bem. Te carrego no peito e mesmo que o ombro dê um jeito porque você ta mais pesada com o tanto de coisas que carrega sozinha, eu continuo andando.

Te prendo num abraço apertado e mostro que aqui também é teu lugar. Fica aqui e me deixa te fazer carinho atrás da orelha pra dormir. Pega tuas coisas e muda pra cá, vem livre desse peso todo que te faz ficar por lá ou vem com eles mesmo e eu te ajudo a carregar. Eu to aqui te esperando de braços abertos e colo pronto. Já preparei um café e atualizei a parte de DVDs da estante. Já comprei o livro novo do Chico pra colocar do teu lado da cama, eu sei que você ainda não tem. Separei espaço pros teus livros e pros teus problemas, também. E se precisar de mais eu me aperto num canto, a gente se ajeita por aqui, mesmo se o espaço for pequeno. Mas vem, meu bem.

Te escrevo mais textos e até um livro desses romances que vira um blockbuster adolescente e te deixo doar tudo que conseguir pras tuas fundações. Vai ser melhor que aquele último que você viu no cinema e saiu da sessão com os olhos vermelhos. Esse vai te fazer rir daquele teu jeito engraçado e sair da sala com esse teu sorriso que eu vejo sempre que você ta feliz e que me faz ter esperança na paz mundial. Te romantizo pra vida e te transformo em música pros caras que tão felizes como eu dedicarem pras tuas pequenas, mesmo que elas não sejam pequenas.

Te lembro de tomar o remédio e de ligar pra tua mãe pelo menos três vezes por semana. De assistir aos jogos do tricolor e de sair com teus amigos pra beber uma vez por mês, religiosamente. Te levo pra perto da tua família e pra ver tuas amigas de infância todo mês, ou sempre que você sentir que precisa mais do colo da tua mãe que do meu. Te faço livre pra ser sua e me amar do teu jeito. Te mostro que eu adoro esse teu jeito de quem não se importa e dança assim mesmo. Te mostro que eu não sou o cara mais bonito e inteligente do mundo, mas que to aqui por você.

Te digo que o mundo é realmente todo seu, meu amor. Coloco todas aquelas fotos que tiramos juntos e as tuas sorrindo na parede do nosso quarto e uma frase da tua música favorita do Teatro Mágico. Aprendo a tocar tudo que você quiser no violão e toco naquela reunião de amigos à noite, sem perder o teu olhar que sorri pra mim, mesmo que a lua esteja linda esperando que eu a note. Te aninho nos meus braços e te levo pra cama.

Te mostro um mundo só nosso, onde você é o centro do roteiro. Já escrevi sobre ele umas mil vezes e posso decorar com todos os detalhes que faltam ou te mostrar o quão comum ele é. Já vi como eu fico longe de você e te mostro o cara que se apaixonou pelo jeito como teus olhos se fecham quando você sorri. Eu acredito que esse é teu jeito de me mostrar que ta guardando na mente aqueles segundos, quase como uma fotografia. Te faço perceber que o mundo que você me mostrou é bem melhor e tem umas cores que eu nem conhecia.

Te amo, assim mesmo, com todo os problemas de antes e os que vão aparecer. Te amo, mesmo que eu seja teu segredo mais sórdido ou teu erro mais bonito.

dani

Quando foi?

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[Você pode ler ao som de Drunk In Love – Beyoncé]

Quando foi? Sei la quando foi, cara. Eu sei que foi. E foi só comigo, esse é o problema. Não deu aquele clique ou constatação em você também, e isso foi uma droga, entende? Eu poderia ter continuado mentindo e fingindo alcoolismo sentimental por mais um cado de tempo, mas eu preferi encarar a droga da ressaca sem remédio ou banho frio. Porque eu percebi que nunca esteve nos seus planos ficar e me oferecer um café. Você sempre esteve sóbrio.

Ah cara, pode ter sido em tantos dias que eu não sei bem ao certo. Pode ter sido quando você me puxou pra dançar e não disse uma palavra. Pode ter sido no momento em que disse que ia buscar uma bebida e já voltava. Ou quando voltou mesmo. Porra, por que você voltou? Você estragou todos os meus planos de lembrar de você só como o carinha da balada. Pode ter sido em qualquer dia desses meses e eu só me dei conta depois. O clique mesmo só veio naquela noite que você dormiu no meio do filme e eu fiquei ali te observando parecer só mais um guri com uma barba pra apimentar o sorriso. Ali eu parei pra pensar que a gente poderia ser mais, a gente poderia passar a vida juntos e eu poderia dividir com você todos os meus filmes favoritos ou só te esperar chegar num desses cafés que tem aqui pelo centro. Eu poderia escrever sobre como foi te transformar no cara com quem eu dividia os meus dias e as poesias do Leminski. Em como eu queria ter desenhado você no meu moleskine com um trecho de um livro qualquer que falasse sobre amor. Ou como queria ser a guria sorrindo contigo numa foto do Instagram com uma legenda de uma música do Chico. Mas você nem gosta do Chico e prefere os quadrinhos às poesias.

Eu preferia que não tivesse sido, sabe? Que nunca tivesse sido amor. Eu poderia escrever sobre amor de outras formas e em outros textos. Mas não contigo. A gente poderia ter passado longe disso e ter ficado só nos porres. Poderia ter sido só uns risos, um drink e passar-bem. A gente ia se encontrar por aí sem ter que disfarçar o que foi e só dizer um oi-e-ai-quanto-tempo-vamos-sair-vamos-me-liga e cada um pro teu lado. Poderia não ter sido e eu nem falaria sobre você. Eu queria não ter que disfarçar o olhar ao falar de você. E se me perguntassem eu diria o quanto foi bom, o quanto meu corpo se alinhou ao teu e a gente foi feliz ali, só. Sem ter que colocar o coração no meio da história. Não teria doido tanto ao perceber que só foi amor pra mim, que pra você foi um cado de dias bons e uma guria bonita.

Mas deixa pra lá o quando foi, porque a porra toda foi só comigo. Contigo tá tudo bem, a vida ta na mesma e você me diz te-cuida-morena. Droga. Eu me cuido.

dani

Trem das seis

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Eu estava sentado naquela estação de trem quando a vi. Eu sempre pegava o mesmo trem, todos os dias, na mesma hora e não me lembrava de tê-la visto por ali. Sentada naquele banco afastado com a cara num livro qualquer. Então ela ajeitou os óculos com a ponta do dedo, olhou para os lados e voltou a ler.

E então eu me peguei imaginando nós dois, num mundo só nosso. Eu sentaria ao seu lado e começaria perguntando como está o livro, faria algum comentário idiota sobre o tempo e ela me olharia com aqueles olhinhos arregalados de quem não faz a menor ideia. Mas ela iria gostar de mim. Iria sorrir e continuaria lendo seu livro. Pegaríamos o mesmo trem das seis, sem querer ou por acaso. E ela daria risada mais uma vez quando eu sentasse ao seu lado. Pensaria em como eu sou chato e insistente, mas ao invés de reclamar, ela só me olharia. Depois do trem, passariam alguns meses e eu a encontraria numa livraria velha de esquina, eu derrubaria café em sua camisa e a chamaria pra sair, pra se desculpar da camisa manchada. Passaríamos a noite num bar, bebendo todas e rindo de todos. Eu iria vê-la dançar aquela música dos Beatles, de um jeito engraçado que seria só dela. No final da noite seríamos dois perdidos andando de mãos dadas na beira da calçada. Eu lhe daria um beijo na testa porque acharia injusto beijá-la embriagado. E no outro dia tomaríamos café juntos de manhã. E então eu poderia sentir o gosto do café em seus lábios.

Nosso mundo. E andaríamos de mãos dadas nele. Casaríamos, teríamos duas meninas. Elas teriam os olhos dela. Mas, o meu senso de humor. E depois viriam as brigas – elas sempre dão um jeito de aparecer na vida de pessoas que se amam – e ela gritaria para mim dizendo o quão se sente cansada. Eu sairia batendo a porta e a veria chorar pela janela da sala. Iríamos continuar assim por mais um ano, no máximo. Ficaríamos cansados das brigas e jogaríamos na cara um do outro todos os erros cometidos. Um dos dois diria que éramos jovens de mais. E talvez fossemos. E no final acabaria cada um para o seu lado, como no dia em que pegamos o mesmo trem, mas para caminhos diferentes. E sem perceber, eu teria perdido o grande amor da minha vida.

Nosso mundo.

E depois de imaginá-lo eu senti aquele velho aperto no peito. Olhei de volta para o banco afastado e ela continuava ali, olhando fixamente para o livro, como se lá estivesse escondido o segredo mais intrigante que já conhecera.

Eu sorri. Eu havia me apaixonado por ela, assim como sempre me apaixono por todas as garotas que passam por essa estação. Mas não daria certo. Não comigo. Então me levantei e voltei para a casa a pé a fim de evitar novos amores.

tathi

Carta pra te pedir desculpa

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[Pra ler ao som de Lying to you – Keaton Henson]

Eu que sempre detestei a palavra ‘desculpa’ não achei nenhuma outra pra começar esse texto ou pra dizer pra você. Eu não sabia como começar a nossa última conversa e não sei como te dizer que eu sinto tanto. A verdade é que eu queria tentar, fiz tudo pra amar você e retribuir tudo que você fez por mim desde aquele primeiro oi. Mas a gente sabe que amor não é assim, como você disse num desses textos lindos que me escreveu, não basta a pichação no muro de “Mais amor, por favor”.

Desculpa por ter deixado de mostrar que na verdade eu sempre fui meio sozinha e que acostumei com isso. Desculpa ter feito você acreditar que estava pronta pra te exibir pro mundo quando eu ainda tinha medo que minha família soubesse. Desculpa por ter deixado que as coisas chegassem tão longe se eu sempre soube que não conseguiria. Desculpa por ter desfeito o teu muro de proteção e depois ter saído deixando tudo por aí. Desculpa ter entrado na sua vida sabendo que não ficaria por muito tempo. Desculpa por jamais ter retribuído todos os te-amo que você soltou no meio das conversas, eu não ia conseguir mentir pra você.

Eu nem consegui colocar a nossa música pra tocar até agora, porque acho que eu nunca mais vou ouvir Cazuza sem lembrar de você, eu nem mesmo apaguei os áudios e vídeos de você cantando pra mim e desculpa por talvez ter estragado tuas músicas preferidas.

Desculpa por pedir tanto desculpa quando eu sei que isso não conserta nada, nem ajuda a melhorar. Então vou agradecer por tudo que você mudou por aqui nesse tempo. Obrigada por ter mostrado um lado meu que gosta de ser escrita e descrita ao invés de só escrever sobre os outros. Obrigada por ter me feito tentar, por ter gostado tanto de mim. Por ter deixado algumas das minhas músicas favoritas com um cado mais de história e amor. Obrigada por não ter esquecido daquele dia difícil no meu mês e ter ficado preocupado com a minha tristeza. Obrigada por ter divido um cado de problemas comigo. Obrigada por todos os poemas, textos músicas, sorrisos e abraços. Você não sabe o quanto esses momentos me fizeram desejar te amar, como me fizeram culpar o maldito timing por existir.

Eu morri por dentro quando te deixei ali sozinho esperando o ônibus pra tua cidade logo depois de ter dito da maneira mais torta possível que não era você, que percebi que não poderia mais fazer aquilo contigo e comigo. Eu mal conseguia olhar nos teus olhos, eu nem olhei pra trás depois de te abraçar pela última vez porque eu não conseguiria ir de vez se não fosse assim. E voltando pra casa eu li teus poemas, aquele do Leminski que você enviou numa manhã qualquer, teus textos sobre mim e percebi que você vai ser sempre meu coxinha-poeta favorito, eu não quero nunca esquecer ou perder essas coisas, vou deixar tudo por aqui pra lembrar de você toda vez que ler com um sorriso bobo. Eu vou entender se você não quiser enviar os poemas escritos num papel como pedi, ou os teus futuros livros com dedicatória que você disse que me daria, mas deixa sempre um aviso por ai que eles tão prontos pra eu comprar e me orgulhar de você como sempre. E aquele que você me deu vai ter sempre um espaço na estante, assim como você vai ter sempre um espaço e um abraço guardados por aqui, se quiser.

Hoje eu me senti a Summer do Tom em (500) Dias com Ela, e não foi ruim porque entendi cada parte dela. Eu vi que isso não tem nada a ver com ser egoísta, filha da puta, não ter coração ou não acreditar no amor. Foi por ter coração demais que ela primeiro tentou, depois agradeceu a estadia e deixou o Tom pra que ele pudesse ser amado numa outra estação. Summer e Tom. Pedro e Anita (o poeta e a autobiógrafa). Todos eles tem um quê de amor e outro de vida.

Então vá pro bar com seus amigos, conta pra eles o quão filha da puta eu fui contigo e não me defende se eles disserem que garotas como eu não merecem caras como você, porque provavelmente eles nunca estiveram tão certos antes. Caras como você merecem um amor desses puros e sinceros, sem confusões passadas atormentando as coisas. Você merece, e eu torço tanto pra que você encontre, alguém que vai correr pra você quando ver teus poemas impressos no jornal da cidade, alguém que vai te fazer escrever muito mais textos, peças e poemas do que você me escreveu. Ah, meu anjo, caras como você merecem muito mais do que eu jamais fui capaz de te oferecer, entende? É por isso que eu não soube ficar e me desculpa por isso.

Você sabe, faz parte do meu show, meu amor.

dani

AQUI E AGORA

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Já faz alguns anos que estou sozinho, solteiro seria o termo apropriado para a ocasião, acredito que seja algo que devemos passar para nos conhecermos melhor. Ao certo esses anos serviram de aprendizado, cresci muito como pessoa e pretendo sempre buscar conhecimento através das pessoas e situação corriqueiras do cotidiano. Sempre fui uma pessoa extremamente ansiosa, agitada e queria tudo para ontem, e juro que pela minha cabeça já passaram muitos pensamentos, alguns com forte tendências suicidas. Falando assim, quem me conhece acharia um absurdo esses pensamentos, mas são constantes as batalhas com nossos pensamentos diários, temos que enfrentar todos os dias um turbilhão de ideias e mudanças de humor repentina. Por estar inserido em um contexto de uma sociedade na qual não temos muito tempo para refletir sobre nossos pensamentos, estamos centrados no trabalho, muitas vezes com pessoas competitivas. Sem contar a carga horária massante, acabamos exaustos no final do dia. Muita vezes angustias e medos cercam-nos ao longo do dia, temos inseguranças e somos prisioneiros do nosso ego, ficamos atordoados. Ficamos presos ao passado e ao futuro, vivemos baseando-se em coisas passadas e planejando o futuro. Mas e o presente, e o agora? Não damos muita importância para o hoje, para o segundo desse instante. Sem observar meus próprios pensamentos, minhas vontades e meus receios. Na verdade quem sou? Quem são essas vozes que falam comigo durante o dia na minha cabeça, o que seria relevante, o que devo descartar, no fundo a verdade que procuramos está em nosso interior, só não damos importância. Queremos tanto mudar, mas não temos ação, não saímos da zona de conforto, ficamos estagnados no tempo e sofrendo atoa.

Hoje sou o observador dos meus pensamentos, só deixo fluir bons pensamentos, atraio aquilo que faz com que me sinta bem. Cheio de boas intenções e pessoas uteis para meu desenvolvimento, até mesmo aquelas com opiniões diferentes, aprendo a respeitá-las. Quando acordo em vez de reclamar porque tenho que ir trabalhar, observo a queda da água durante o banho em meu corpo, que divino, que sensação gostosa, o que seria de nós sem essa maravilha, sem água purificada que nos limpa, mata a sede e mais um monte de benefícios que ela nos dá – usando com consciência, porque o desperdício é crueldade. As pessoas ao nosso redor, porque não tratá-las bem, melhorar o convívio entre as pessoas na qual passo mais tempo é um singelo gesto. Muito obrigado, posso ajudar, por favor. São palavras que fazem toda diferença para o convívio. Posso dizer que continuo sendo uma pessoa ansiosa, porém não deixo isso dominar meu ser. Aquela sensação de vazio que carreguei a anos, hoje preencho observando as coisas e as sensações durante o meu dia, hoje sinto uma enorme felicidade nas coisas simples, me conheço um pouco mais e quero me descobrir cada dia mais, sabendo identificar minhas emoções, dando importância para sentimentos que passam e que fazem bem, quero deixar o aqui e agora dominar meu ser e me fazer melhor cada dia mais, para lá no futuro olhar o passado e dizer, eu passei por muito nessa vida e por tudo que passei hoje sei que tudo é um eterno aprendizado.

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Esquecer

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[Você pode ler ao som de Counting Stars – One Republic]

Dobrando a esquina eu me peguei pensando em como eu queria esquece-lo. Foi então que dei de cara com um metro e noventa e três, um óculos e um sorriso meio desajeitado.

A verdade é que a gente sempre acha que nunca vai superar. É difícil, é cansativo e na maioria das vezes dá vontade de desistir e deixar tudo como está. As vezes a gente pensa em voltar atrás e que foda-se o sofrimento, estaria tudo menos pior se ele estivesse aqui. Até que a gente se dá conta de que realmente é preciso esquecer e deixar passar. Já não se trata mais da gente, se trata de deixar o outro ir porque ele quer ou ambos queremos e finalmente, não era pra ser.

E quando a gente se dá conta de tudo isso, de repente se vê numa esquina qualquer pegando aqueles livros que deixamos cair e alguém olhando pra gente como a gente sempre quis que olhassem. É mágico. Você até sente uma ponta que te prende no passado e dói no estomago, uma insegurança que quase te faz desistir. Mas nada naquele momento é mais importante que as borboletas revoltas.

Foi assim comigo e eu garanto, existem mil maneiras diferentes de acontecer. Mas uma hora acontece, sério. E o amor não precisa acontecer na hora. Ele vai acontecer com o tempo e vai trazer uma infinidade de incertezas, novos medos e expectativas. A receita pra tudo dar certo é manter o pé firme no chão e andar com um balão do lado. Vez ou outra a gente dá um saltinho e para um pouco a frente, só para se lembrar de que somos capazes. E quando a pessoa certa chegar, você vai estar preparada para tirar os pés completamente do chão. Você pode chegar a cair muitas e muitas vezes, mas o que importa, lá no fundo, é ter tentado. A pessoa certa nem sempre vai durar, mas se ela te arrancar um cado de sorriso de manhã pode ter certeza que vale a pena.

O meu um metro e noventa e três estava por ai enquanto eu passava os dias desistindo só um pouquinho de esquecer quem me fez sofrer. Mas eu me dei uma nova chance e hoje, esse cado de altura me tira vez ou outra umas novas borboletas do estomago. E quer saber? Eu poderia ter desistido e voltado atrás pro meu sofrimento conformado, mas não. Hoje eu acordo sorrindo todos os dias, e não é amor, mas se um dia for e não der certo, tá tudo bem, porque afinal de contas, o mais importante eu fiz, eu tentei.

tathi