Um querer clichê

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[É aconselhável que você leia este texto ao som de Guiding Light]

Foi do contato pele na pele que me fez suspirar, foi quando eu te olhei nos olhos e tive certeza da gente, que eu arranquei essa vontade de estar com você e te prometer a felicidade. Mas, de todos os medos, prometer algo a alguém depois de tantas promessas, me pareceu errado demais. E é verdade que eu nunca soube medir o tamanho das minhas promessas, algo a ver com meu problema com números. Algo a ver com o meu medo.

Eu já me peguei na certeza de estar com alguém pro resto da vida. Fiz planos e confesso, você nunca esteve neles. Mas existe algo de errado em prometer um futuro quando uma única pessoa enxerga essa direção. Existe algo de errado em fazer promessas que não sabemos como cumprir. E, depois de amar tantos olhares, prometer tantos futuros, dizer tantas palavras e engolir tantas outras, eu acabo no mesmo momento clichê de dizer que te quero pra mim. Que te quero num futuro que eu não posso controlar. Te quero de mãos dadas num lugar que eu não sei onde é. Mas eu quero, porém, eu tenho problema com números, problemas com o medo. Eu tenho problemas.

Eu sou clichê e vou te pedir pra ficar quando a gente brigar. Eu vou querer o seu abraço, mas vou odiar admitir isso. E eu vou sentir medo o tempo todo que eu não tiver seus olhos pra olhar. Vou continuar insistindo que teu sorriso combina mais com o meu, e cá entre nós, cê devia ficar.

Agora, eu te quero nos meus planos, mesmo que eu tenha que inventar uma nova maneira de te fazer sorrir pra mim todos os dias e mesmo assim, alguém, um dia, me conte que não era nada disso. Mesmo que o meu medo, em algum momento possa ser maior, mesmo que eu continue achando tudo isso clichê, eu quero estar com você.

Simplesmente, porque eu adoro o sorriso que você me dá de manhã, e o jeito que você me acorda. Só porque eu adoro o jeito que você me olha, quando eu, incontestavelmente não consigo controlar o que sinto.

Só porque o contato pele na pele me fez suspirar, me fez te olhar nos olhos e ter certeza da gente.

Tathiane Fernandes

Carta pra ela

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[Você pode ler esse texto ao som de He Can Only Hold Her – Amy Winehouse]

Boa noite, pequena.
Eu to aqui porque sei que tu tens se culpado de tudo que aconteceu com a gente e tudo de depois da gente. Dos outros caras e de mim. Não vim assumir a culpa e muito menos representar todos os caras que tiveram o coração partido por você, cada um sabe a dor que foi não ter feito você ficar, e ah, meu bem, a gente sabe que foi difícil superar (ou ainda é), porque esse teu sorriso tem um efeito gigante no nosso peito.
Mas to aqui pra te contar que a culpa não é toda tua, mas também não é só o tal timing que tu insiste em culpar junto. A verdade é que a gente não foi capaz de te fazer perder o medo. Uma pena, porque eu queria tanto ter sido esse cara, e queria mesmo. Os outros também, eu sei.

Tu tem medo, guria.

Um medo absurdo de amar. De entregar tudo que tu tem e se jogar de cabeça no escuro. Parace aquela campanha de refrigerante, mas não é, é que o amor é se jogar no escuro mesmo. E tu tem medo do escuro, de não enxergar o que tem pela frente e não ter certeza que a estrada é segura. E o mais incrível é que tu acha que não, e a gente também acha que não no começo. A gente te encontra nesses bares e shows por ai, vê tua cara de mulher independente, saca esse teu riso meio inocente e malicioso ao mesmo tempo, teu jeito de quem dança solta na pista enquanto grita I don’t care, I love it com uma amiga. A gente encontra tudo isso em ti e fica crente que tu não vai nem ver o olhar que te admira, que a gente vai passar batido porque essa guria esbanja por aí a certeza de quem é.

Bobagem minha, bobagem nossa.

Ta, nem tanto. É verdade que tu não precisa mesmo da gente, que ta acostumada com a solidão e que gosta desse teu conforto. Mas tu não tem noção nenhuma do efeito que causa. E dentro de si guarda um medo danado de gritar tuas incertezas por aí. Um bocado de incertezas maquiadas de meias verdades e um cado de marra.
A gente te encontra pronta pra tudo, acha que tu ta se jogando por inteira com a gente porque tu és esse furacão, essa equação que a gente quer resolver a todo custo, mesmo sendo de humanas. A gente te vê com a vida pronta sozinha, com tanta verdade e tanta certeza que não tem espaço pra gente ali, mas tudo bem, eu me aperto, me ajeito, fico aqui assim mesmo.

Mas ai tu não fica.

Tu larga tudo e vai, justo quando a gente tem certeza de que ta tudo certo. E ai só sobra a falta, a falta das tuas conversas, dos teus pedidos e do teu sorriso. E a gente fica tentando entender, por que não era eu?
Mas a verdade, meu amor, é que poderia ter sido qualquer um de nós, e pode ser ainda. Mas precisa ser você, também. Você precisa ser você, por ti e por um de nós. Tu é aquela mulher independente, cheia de vida e de certezas que a gente viu na pista de dança. Mas também é a guria confusa, com um cado de dúvidas e medos, que acostumou a dormir no escuro, mas tem que fechar o olho logo pra não reparar que não tem luz nenhuma acesa. Você precisa ser você e não ter medo de assumir teus medos. Não precisa esconder a falta de coragem pra ir sozinha naquele compromisso chato ou pra assumir que não quer o que teus pais querem pra ti.
Meu bem, não serão mil poemas, umas canções, um sorriso bonito e uma barba que te farão ficar por um de nós. Não é nem a certeza de que a gente não vai te magoar ou o abraço apertado. É tu que tem que escolher ficar por nós. Por ti. Pela incerteza no que vai dar e pela certeza de ser um mar de confusões, de ser amor.
Enquanto você não for você por fora e por dentro, não serei eu, nem o cara do teu trabalho, o poeta, o matemático ou o cara do jardim de infância. Enquanto tu não perder teu medo de amar, a gente não vai bastar pra te fazer ficar. Porque a verdade é que tu nunca ficou por medo da gente acabar te vendo assim, nua como nunca antes.

Como só tu se vê.

dani

Faz bem, é bom

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Tem hora que a gente só quer um pouco de paz, um pouco de cama. Alguém prum abraço, um filme, debaixo da coberta, sabe como é? Uma hora a gente cansa de ser sozinho no mundo, de se bastar, de ser feliz do jeito que tá. A gente quer companhia, não dos amigos, não da bebedeira. A gente quer colo, igual de mãe. Carinho igual de irmão. A gente quer se sentir protegido do mundo, a gente quer se sentir especial não só pra gente, pra família, pros amigos. A gente quer ser o motivo de um sorriso, de uma mensagem. A gente quer fazer sentido e não se sentir um grãozinho de areia no meio da tempestade.

Ser feliz sozinho é bom, faz bem, bem pra gente, bem pros outros. Mas tem hora que a gente quer ser sozinho junto, quer compartilhar solidão, alegria, emprego novo, ou um colo. A gente que ir pra algum lugar e encontrar o amor dessa vida, sem medo de ele ir embora porque tem tanta coisa ainda que queremos ver. Tanto lugar que queremos conhecer. Tanta gente que queremos olhar e nos imaginar envelhecendo juntos. Tantos amores platônicos, distantes, retribuídos ou não. Não importa se não der certo dessa vez, ou na próxima, ou ainda na outra. Tem hora que a gente quer ir sem medo do que pode e vai acontecer. A gente quer ser imprudente pra poder olhar pro outro e dizer ele é o amor da nossa vida, mesmo que ano que vem não seja mais. Queremos fazer grandes planos em cima de pessoas pequenas, sim! E porque não?

Ontem a gente se bastava sozinho, com um copo de bebida e algumas notas musicais, hoje a gente quer se bastar a dois com direito a chá quente num dia frio ou piquenique no parque, pode ter bebida de água ardente, pode ter lual e pode ter festa também, mas a dois. Juntos, porque a gente quer companhia pra voltar pra casa, pra rir atoa, pra ver sentido naquilo que só faz sentido quando a gente tem alguém pra dividir um cafuné.

Amanhã a gente não sabe, pode ser outro, pode ser ninguém e a gente pode estar sozinho no mundo de novo. Mas hoje, a gente só queria ter de quem escrever, com quem dividir esse pedaço de papel. Hoje a gente só queria compartilhar isso que sente e ter alguém pra dividir a solidão. Faz bem, é bom. Um apartamento vazio, uma sala no cinema, aquele canto no sofá tocando vilão.

Solidão boa essa que a gente divide.

Solidão boa essa que a gente não precisa deixar de morar na gente pra morar no outro.

tathi

Ser teu erro mais bonito

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[Pra ler ao som de Life of the Party – Shawn Mendes]

Te pego dia desses depois do trabalho, te levo pra casa e te faço cafuné vendo qualquer comédia romântica ou o que você quiser. A gente fala das coisas que fez durante esse tempo sem se ver e eu conto como cada dia foi de saudade d’ocê, pequena. Você me conta do trabalho que tá uma droga e como você pensa vez ou outra se fez a escolha certa. Olha, você me faz pensar que cada escolha deve ser certa, já que agora eu to aqui contigo, meu bem. Te carrego no peito e mesmo que o ombro dê um jeito porque você ta mais pesada com o tanto de coisas que carrega sozinha, eu continuo andando.

Te prendo num abraço apertado e mostro que aqui também é teu lugar. Fica aqui e me deixa te fazer carinho atrás da orelha pra dormir. Pega tuas coisas e muda pra cá, vem livre desse peso todo que te faz ficar por lá ou vem com eles mesmo e eu te ajudo a carregar. Eu to aqui te esperando de braços abertos e colo pronto. Já preparei um café e atualizei a parte de DVDs da estante. Já comprei o livro novo do Chico pra colocar do teu lado da cama, eu sei que você ainda não tem. Separei espaço pros teus livros e pros teus problemas, também. E se precisar de mais eu me aperto num canto, a gente se ajeita por aqui, mesmo se o espaço for pequeno. Mas vem, meu bem.

Te escrevo mais textos e até um livro desses romances que vira um blockbuster adolescente e te deixo doar tudo que conseguir pras tuas fundações. Vai ser melhor que aquele último que você viu no cinema e saiu da sessão com os olhos vermelhos. Esse vai te fazer rir daquele teu jeito engraçado e sair da sala com esse teu sorriso que eu vejo sempre que você ta feliz e que me faz ter esperança na paz mundial. Te romantizo pra vida e te transformo em música pros caras que tão felizes como eu dedicarem pras tuas pequenas, mesmo que elas não sejam pequenas.

Te lembro de tomar o remédio e de ligar pra tua mãe pelo menos três vezes por semana. De assistir aos jogos do tricolor e de sair com teus amigos pra beber uma vez por mês, religiosamente. Te levo pra perto da tua família e pra ver tuas amigas de infância todo mês, ou sempre que você sentir que precisa mais do colo da tua mãe que do meu. Te faço livre pra ser sua e me amar do teu jeito. Te mostro que eu adoro esse teu jeito de quem não se importa e dança assim mesmo. Te mostro que eu não sou o cara mais bonito e inteligente do mundo, mas que to aqui por você.

Te digo que o mundo é realmente todo seu, meu amor. Coloco todas aquelas fotos que tiramos juntos e as tuas sorrindo na parede do nosso quarto e uma frase da tua música favorita do Teatro Mágico. Aprendo a tocar tudo que você quiser no violão e toco naquela reunião de amigos à noite, sem perder o teu olhar que sorri pra mim, mesmo que a lua esteja linda esperando que eu a note. Te aninho nos meus braços e te levo pra cama.

Te mostro um mundo só nosso, onde você é o centro do roteiro. Já escrevi sobre ele umas mil vezes e posso decorar com todos os detalhes que faltam ou te mostrar o quão comum ele é. Já vi como eu fico longe de você e te mostro o cara que se apaixonou pelo jeito como teus olhos se fecham quando você sorri. Eu acredito que esse é teu jeito de me mostrar que ta guardando na mente aqueles segundos, quase como uma fotografia. Te faço perceber que o mundo que você me mostrou é bem melhor e tem umas cores que eu nem conhecia.

Te amo, assim mesmo, com todo os problemas de antes e os que vão aparecer. Te amo, mesmo que eu seja teu segredo mais sórdido ou teu erro mais bonito.

dani

Quando foi?

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[Você pode ler ao som de Drunk In Love – Beyoncé]

Quando foi? Sei la quando foi, cara. Eu sei que foi. E foi só comigo, esse é o problema. Não deu aquele clique ou constatação em você também, e isso foi uma droga, entende? Eu poderia ter continuado mentindo e fingindo alcoolismo sentimental por mais um cado de tempo, mas eu preferi encarar a droga da ressaca sem remédio ou banho frio. Porque eu percebi que nunca esteve nos seus planos ficar e me oferecer um café. Você sempre esteve sóbrio.

Ah cara, pode ter sido em tantos dias que eu não sei bem ao certo. Pode ter sido quando você me puxou pra dançar e não disse uma palavra. Pode ter sido no momento em que disse que ia buscar uma bebida e já voltava. Ou quando voltou mesmo. Porra, por que você voltou? Você estragou todos os meus planos de lembrar de você só como o carinha da balada. Pode ter sido em qualquer dia desses meses e eu só me dei conta depois. O clique mesmo só veio naquela noite que você dormiu no meio do filme e eu fiquei ali te observando parecer só mais um guri com uma barba pra apimentar o sorriso. Ali eu parei pra pensar que a gente poderia ser mais, a gente poderia passar a vida juntos e eu poderia dividir com você todos os meus filmes favoritos ou só te esperar chegar num desses cafés que tem aqui pelo centro. Eu poderia escrever sobre como foi te transformar no cara com quem eu dividia os meus dias e as poesias do Leminski. Em como eu queria ter desenhado você no meu moleskine com um trecho de um livro qualquer que falasse sobre amor. Ou como queria ser a guria sorrindo contigo numa foto do Instagram com uma legenda de uma música do Chico. Mas você nem gosta do Chico e prefere os quadrinhos às poesias.

Eu preferia que não tivesse sido, sabe? Que nunca tivesse sido amor. Eu poderia escrever sobre amor de outras formas e em outros textos. Mas não contigo. A gente poderia ter passado longe disso e ter ficado só nos porres. Poderia ter sido só uns risos, um drink e passar-bem. A gente ia se encontrar por aí sem ter que disfarçar o que foi e só dizer um oi-e-ai-quanto-tempo-vamos-sair-vamos-me-liga e cada um pro teu lado. Poderia não ter sido e eu nem falaria sobre você. Eu queria não ter que disfarçar o olhar ao falar de você. E se me perguntassem eu diria o quanto foi bom, o quanto meu corpo se alinhou ao teu e a gente foi feliz ali, só. Sem ter que colocar o coração no meio da história. Não teria doido tanto ao perceber que só foi amor pra mim, que pra você foi um cado de dias bons e uma guria bonita.

Mas deixa pra lá o quando foi, porque a porra toda foi só comigo. Contigo tá tudo bem, a vida ta na mesma e você me diz te-cuida-morena. Droga. Eu me cuido.

dani

Trem das seis

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Eu estava sentado naquela estação de trem quando a vi. Eu sempre pegava o mesmo trem, todos os dias, na mesma hora e não me lembrava de tê-la visto por ali. Sentada naquele banco afastado com a cara num livro qualquer. Então ela ajeitou os óculos com a ponta do dedo, olhou para os lados e voltou a ler.

E então eu me peguei imaginando nós dois, num mundo só nosso. Eu sentaria ao seu lado e começaria perguntando como está o livro, faria algum comentário idiota sobre o tempo e ela me olharia com aqueles olhinhos arregalados de quem não faz a menor ideia. Mas ela iria gostar de mim. Iria sorrir e continuaria lendo seu livro. Pegaríamos o mesmo trem das seis, sem querer ou por acaso. E ela daria risada mais uma vez quando eu sentasse ao seu lado. Pensaria em como eu sou chato e insistente, mas ao invés de reclamar, ela só me olharia. Depois do trem, passariam alguns meses e eu a encontraria numa livraria velha de esquina, eu derrubaria café em sua camisa e a chamaria pra sair, pra se desculpar da camisa manchada. Passaríamos a noite num bar, bebendo todas e rindo de todos. Eu iria vê-la dançar aquela música dos Beatles, de um jeito engraçado que seria só dela. No final da noite seríamos dois perdidos andando de mãos dadas na beira da calçada. Eu lhe daria um beijo na testa porque acharia injusto beijá-la embriagado. E no outro dia tomaríamos café juntos de manhã. E então eu poderia sentir o gosto do café em seus lábios.

Nosso mundo. E andaríamos de mãos dadas nele. Casaríamos, teríamos duas meninas. Elas teriam os olhos dela. Mas, o meu senso de humor. E depois viriam as brigas – elas sempre dão um jeito de aparecer na vida de pessoas que se amam – e ela gritaria para mim dizendo o quão se sente cansada. Eu sairia batendo a porta e a veria chorar pela janela da sala. Iríamos continuar assim por mais um ano, no máximo. Ficaríamos cansados das brigas e jogaríamos na cara um do outro todos os erros cometidos. Um dos dois diria que éramos jovens de mais. E talvez fossemos. E no final acabaria cada um para o seu lado, como no dia em que pegamos o mesmo trem, mas para caminhos diferentes. E sem perceber, eu teria perdido o grande amor da minha vida.

Nosso mundo.

E depois de imaginá-lo eu senti aquele velho aperto no peito. Olhei de volta para o banco afastado e ela continuava ali, olhando fixamente para o livro, como se lá estivesse escondido o segredo mais intrigante que já conhecera.

Eu sorri. Eu havia me apaixonado por ela, assim como sempre me apaixono por todas as garotas que passam por essa estação. Mas não daria certo. Não comigo. Então me levantei e voltei para a casa a pé a fim de evitar novos amores.

tathi

AQUI E AGORA

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Já faz alguns anos que estou sozinho, solteiro seria o termo apropriado para a ocasião, acredito que seja algo que devemos passar para nos conhecermos melhor. Ao certo esses anos serviram de aprendizado, cresci muito como pessoa e pretendo sempre buscar conhecimento através das pessoas e situação corriqueiras do cotidiano. Sempre fui uma pessoa extremamente ansiosa, agitada e queria tudo para ontem, e juro que pela minha cabeça já passaram muitos pensamentos, alguns com forte tendências suicidas. Falando assim, quem me conhece acharia um absurdo esses pensamentos, mas são constantes as batalhas com nossos pensamentos diários, temos que enfrentar todos os dias um turbilhão de ideias e mudanças de humor repentina. Por estar inserido em um contexto de uma sociedade na qual não temos muito tempo para refletir sobre nossos pensamentos, estamos centrados no trabalho, muitas vezes com pessoas competitivas. Sem contar a carga horária massante, acabamos exaustos no final do dia. Muita vezes angustias e medos cercam-nos ao longo do dia, temos inseguranças e somos prisioneiros do nosso ego, ficamos atordoados. Ficamos presos ao passado e ao futuro, vivemos baseando-se em coisas passadas e planejando o futuro. Mas e o presente, e o agora? Não damos muita importância para o hoje, para o segundo desse instante. Sem observar meus próprios pensamentos, minhas vontades e meus receios. Na verdade quem sou? Quem são essas vozes que falam comigo durante o dia na minha cabeça, o que seria relevante, o que devo descartar, no fundo a verdade que procuramos está em nosso interior, só não damos importância. Queremos tanto mudar, mas não temos ação, não saímos da zona de conforto, ficamos estagnados no tempo e sofrendo atoa.

Hoje sou o observador dos meus pensamentos, só deixo fluir bons pensamentos, atraio aquilo que faz com que me sinta bem. Cheio de boas intenções e pessoas uteis para meu desenvolvimento, até mesmo aquelas com opiniões diferentes, aprendo a respeitá-las. Quando acordo em vez de reclamar porque tenho que ir trabalhar, observo a queda da água durante o banho em meu corpo, que divino, que sensação gostosa, o que seria de nós sem essa maravilha, sem água purificada que nos limpa, mata a sede e mais um monte de benefícios que ela nos dá – usando com consciência, porque o desperdício é crueldade. As pessoas ao nosso redor, porque não tratá-las bem, melhorar o convívio entre as pessoas na qual passo mais tempo é um singelo gesto. Muito obrigado, posso ajudar, por favor. São palavras que fazem toda diferença para o convívio. Posso dizer que continuo sendo uma pessoa ansiosa, porém não deixo isso dominar meu ser. Aquela sensação de vazio que carreguei a anos, hoje preencho observando as coisas e as sensações durante o meu dia, hoje sinto uma enorme felicidade nas coisas simples, me conheço um pouco mais e quero me descobrir cada dia mais, sabendo identificar minhas emoções, dando importância para sentimentos que passam e que fazem bem, quero deixar o aqui e agora dominar meu ser e me fazer melhor cada dia mais, para lá no futuro olhar o passado e dizer, eu passei por muito nessa vida e por tudo que passei hoje sei que tudo é um eterno aprendizado.

mo