Carta pra ela

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[Você pode ler esse texto ao som de He Can Only Hold Her – Amy Winehouse]

Boa noite, pequena.
Eu to aqui porque sei que tu tens se culpado de tudo que aconteceu com a gente e tudo de depois da gente. Dos outros caras e de mim. Não vim assumir a culpa e muito menos representar todos os caras que tiveram o coração partido por você, cada um sabe a dor que foi não ter feito você ficar, e ah, meu bem, a gente sabe que foi difícil superar (ou ainda é), porque esse teu sorriso tem um efeito gigante no nosso peito.
Mas to aqui pra te contar que a culpa não é toda tua, mas também não é só o tal timing que tu insiste em culpar junto. A verdade é que a gente não foi capaz de te fazer perder o medo. Uma pena, porque eu queria tanto ter sido esse cara, e queria mesmo. Os outros também, eu sei.

Tu tem medo, guria.

Um medo absurdo de amar. De entregar tudo que tu tem e se jogar de cabeça no escuro. Parace aquela campanha de refrigerante, mas não é, é que o amor é se jogar no escuro mesmo. E tu tem medo do escuro, de não enxergar o que tem pela frente e não ter certeza que a estrada é segura. E o mais incrível é que tu acha que não, e a gente também acha que não no começo. A gente te encontra nesses bares e shows por ai, vê tua cara de mulher independente, saca esse teu riso meio inocente e malicioso ao mesmo tempo, teu jeito de quem dança solta na pista enquanto grita I don’t care, I love it com uma amiga. A gente encontra tudo isso em ti e fica crente que tu não vai nem ver o olhar que te admira, que a gente vai passar batido porque essa guria esbanja por aí a certeza de quem é.

Bobagem minha, bobagem nossa.

Ta, nem tanto. É verdade que tu não precisa mesmo da gente, que ta acostumada com a solidão e que gosta desse teu conforto. Mas tu não tem noção nenhuma do efeito que causa. E dentro de si guarda um medo danado de gritar tuas incertezas por aí. Um bocado de incertezas maquiadas de meias verdades e um cado de marra.
A gente te encontra pronta pra tudo, acha que tu ta se jogando por inteira com a gente porque tu és esse furacão, essa equação que a gente quer resolver a todo custo, mesmo sendo de humanas. A gente te vê com a vida pronta sozinha, com tanta verdade e tanta certeza que não tem espaço pra gente ali, mas tudo bem, eu me aperto, me ajeito, fico aqui assim mesmo.

Mas ai tu não fica.

Tu larga tudo e vai, justo quando a gente tem certeza de que ta tudo certo. E ai só sobra a falta, a falta das tuas conversas, dos teus pedidos e do teu sorriso. E a gente fica tentando entender, por que não era eu?
Mas a verdade, meu amor, é que poderia ter sido qualquer um de nós, e pode ser ainda. Mas precisa ser você, também. Você precisa ser você, por ti e por um de nós. Tu é aquela mulher independente, cheia de vida e de certezas que a gente viu na pista de dança. Mas também é a guria confusa, com um cado de dúvidas e medos, que acostumou a dormir no escuro, mas tem que fechar o olho logo pra não reparar que não tem luz nenhuma acesa. Você precisa ser você e não ter medo de assumir teus medos. Não precisa esconder a falta de coragem pra ir sozinha naquele compromisso chato ou pra assumir que não quer o que teus pais querem pra ti.
Meu bem, não serão mil poemas, umas canções, um sorriso bonito e uma barba que te farão ficar por um de nós. Não é nem a certeza de que a gente não vai te magoar ou o abraço apertado. É tu que tem que escolher ficar por nós. Por ti. Pela incerteza no que vai dar e pela certeza de ser um mar de confusões, de ser amor.
Enquanto você não for você por fora e por dentro, não serei eu, nem o cara do teu trabalho, o poeta, o matemático ou o cara do jardim de infância. Enquanto tu não perder teu medo de amar, a gente não vai bastar pra te fazer ficar. Porque a verdade é que tu nunca ficou por medo da gente acabar te vendo assim, nua como nunca antes.

Como só tu se vê.

dani

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Ser teu erro mais bonito

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[Pra ler ao som de Life of the Party – Shawn Mendes]

Te pego dia desses depois do trabalho, te levo pra casa e te faço cafuné vendo qualquer comédia romântica ou o que você quiser. A gente fala das coisas que fez durante esse tempo sem se ver e eu conto como cada dia foi de saudade d’ocê, pequena. Você me conta do trabalho que tá uma droga e como você pensa vez ou outra se fez a escolha certa. Olha, você me faz pensar que cada escolha deve ser certa, já que agora eu to aqui contigo, meu bem. Te carrego no peito e mesmo que o ombro dê um jeito porque você ta mais pesada com o tanto de coisas que carrega sozinha, eu continuo andando.

Te prendo num abraço apertado e mostro que aqui também é teu lugar. Fica aqui e me deixa te fazer carinho atrás da orelha pra dormir. Pega tuas coisas e muda pra cá, vem livre desse peso todo que te faz ficar por lá ou vem com eles mesmo e eu te ajudo a carregar. Eu to aqui te esperando de braços abertos e colo pronto. Já preparei um café e atualizei a parte de DVDs da estante. Já comprei o livro novo do Chico pra colocar do teu lado da cama, eu sei que você ainda não tem. Separei espaço pros teus livros e pros teus problemas, também. E se precisar de mais eu me aperto num canto, a gente se ajeita por aqui, mesmo se o espaço for pequeno. Mas vem, meu bem.

Te escrevo mais textos e até um livro desses romances que vira um blockbuster adolescente e te deixo doar tudo que conseguir pras tuas fundações. Vai ser melhor que aquele último que você viu no cinema e saiu da sessão com os olhos vermelhos. Esse vai te fazer rir daquele teu jeito engraçado e sair da sala com esse teu sorriso que eu vejo sempre que você ta feliz e que me faz ter esperança na paz mundial. Te romantizo pra vida e te transformo em música pros caras que tão felizes como eu dedicarem pras tuas pequenas, mesmo que elas não sejam pequenas.

Te lembro de tomar o remédio e de ligar pra tua mãe pelo menos três vezes por semana. De assistir aos jogos do tricolor e de sair com teus amigos pra beber uma vez por mês, religiosamente. Te levo pra perto da tua família e pra ver tuas amigas de infância todo mês, ou sempre que você sentir que precisa mais do colo da tua mãe que do meu. Te faço livre pra ser sua e me amar do teu jeito. Te mostro que eu adoro esse teu jeito de quem não se importa e dança assim mesmo. Te mostro que eu não sou o cara mais bonito e inteligente do mundo, mas que to aqui por você.

Te digo que o mundo é realmente todo seu, meu amor. Coloco todas aquelas fotos que tiramos juntos e as tuas sorrindo na parede do nosso quarto e uma frase da tua música favorita do Teatro Mágico. Aprendo a tocar tudo que você quiser no violão e toco naquela reunião de amigos à noite, sem perder o teu olhar que sorri pra mim, mesmo que a lua esteja linda esperando que eu a note. Te aninho nos meus braços e te levo pra cama.

Te mostro um mundo só nosso, onde você é o centro do roteiro. Já escrevi sobre ele umas mil vezes e posso decorar com todos os detalhes que faltam ou te mostrar o quão comum ele é. Já vi como eu fico longe de você e te mostro o cara que se apaixonou pelo jeito como teus olhos se fecham quando você sorri. Eu acredito que esse é teu jeito de me mostrar que ta guardando na mente aqueles segundos, quase como uma fotografia. Te faço perceber que o mundo que você me mostrou é bem melhor e tem umas cores que eu nem conhecia.

Te amo, assim mesmo, com todo os problemas de antes e os que vão aparecer. Te amo, mesmo que eu seja teu segredo mais sórdido ou teu erro mais bonito.

dani

Quando foi?

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[Você pode ler ao som de Drunk In Love – Beyoncé]

Quando foi? Sei la quando foi, cara. Eu sei que foi. E foi só comigo, esse é o problema. Não deu aquele clique ou constatação em você também, e isso foi uma droga, entende? Eu poderia ter continuado mentindo e fingindo alcoolismo sentimental por mais um cado de tempo, mas eu preferi encarar a droga da ressaca sem remédio ou banho frio. Porque eu percebi que nunca esteve nos seus planos ficar e me oferecer um café. Você sempre esteve sóbrio.

Ah cara, pode ter sido em tantos dias que eu não sei bem ao certo. Pode ter sido quando você me puxou pra dançar e não disse uma palavra. Pode ter sido no momento em que disse que ia buscar uma bebida e já voltava. Ou quando voltou mesmo. Porra, por que você voltou? Você estragou todos os meus planos de lembrar de você só como o carinha da balada. Pode ter sido em qualquer dia desses meses e eu só me dei conta depois. O clique mesmo só veio naquela noite que você dormiu no meio do filme e eu fiquei ali te observando parecer só mais um guri com uma barba pra apimentar o sorriso. Ali eu parei pra pensar que a gente poderia ser mais, a gente poderia passar a vida juntos e eu poderia dividir com você todos os meus filmes favoritos ou só te esperar chegar num desses cafés que tem aqui pelo centro. Eu poderia escrever sobre como foi te transformar no cara com quem eu dividia os meus dias e as poesias do Leminski. Em como eu queria ter desenhado você no meu moleskine com um trecho de um livro qualquer que falasse sobre amor. Ou como queria ser a guria sorrindo contigo numa foto do Instagram com uma legenda de uma música do Chico. Mas você nem gosta do Chico e prefere os quadrinhos às poesias.

Eu preferia que não tivesse sido, sabe? Que nunca tivesse sido amor. Eu poderia escrever sobre amor de outras formas e em outros textos. Mas não contigo. A gente poderia ter passado longe disso e ter ficado só nos porres. Poderia ter sido só uns risos, um drink e passar-bem. A gente ia se encontrar por aí sem ter que disfarçar o que foi e só dizer um oi-e-ai-quanto-tempo-vamos-sair-vamos-me-liga e cada um pro teu lado. Poderia não ter sido e eu nem falaria sobre você. Eu queria não ter que disfarçar o olhar ao falar de você. E se me perguntassem eu diria o quanto foi bom, o quanto meu corpo se alinhou ao teu e a gente foi feliz ali, só. Sem ter que colocar o coração no meio da história. Não teria doido tanto ao perceber que só foi amor pra mim, que pra você foi um cado de dias bons e uma guria bonita.

Mas deixa pra lá o quando foi, porque a porra toda foi só comigo. Contigo tá tudo bem, a vida ta na mesma e você me diz te-cuida-morena. Droga. Eu me cuido.

dani

Carta pra te pedir desculpa

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[Pra ler ao som de Lying to you – Keaton Henson]

Eu que sempre detestei a palavra ‘desculpa’ não achei nenhuma outra pra começar esse texto ou pra dizer pra você. Eu não sabia como começar a nossa última conversa e não sei como te dizer que eu sinto tanto. A verdade é que eu queria tentar, fiz tudo pra amar você e retribuir tudo que você fez por mim desde aquele primeiro oi. Mas a gente sabe que amor não é assim, como você disse num desses textos lindos que me escreveu, não basta a pichação no muro de “Mais amor, por favor”.

Desculpa por ter deixado de mostrar que na verdade eu sempre fui meio sozinha e que acostumei com isso. Desculpa ter feito você acreditar que estava pronta pra te exibir pro mundo quando eu ainda tinha medo que minha família soubesse. Desculpa por ter deixado que as coisas chegassem tão longe se eu sempre soube que não conseguiria. Desculpa por ter desfeito o teu muro de proteção e depois ter saído deixando tudo por aí. Desculpa ter entrado na sua vida sabendo que não ficaria por muito tempo. Desculpa por jamais ter retribuído todos os te-amo que você soltou no meio das conversas, eu não ia conseguir mentir pra você.

Eu nem consegui colocar a nossa música pra tocar até agora, porque acho que eu nunca mais vou ouvir Cazuza sem lembrar de você, eu nem mesmo apaguei os áudios e vídeos de você cantando pra mim e desculpa por talvez ter estragado tuas músicas preferidas.

Desculpa por pedir tanto desculpa quando eu sei que isso não conserta nada, nem ajuda a melhorar. Então vou agradecer por tudo que você mudou por aqui nesse tempo. Obrigada por ter mostrado um lado meu que gosta de ser escrita e descrita ao invés de só escrever sobre os outros. Obrigada por ter me feito tentar, por ter gostado tanto de mim. Por ter deixado algumas das minhas músicas favoritas com um cado mais de história e amor. Obrigada por não ter esquecido daquele dia difícil no meu mês e ter ficado preocupado com a minha tristeza. Obrigada por ter divido um cado de problemas comigo. Obrigada por todos os poemas, textos músicas, sorrisos e abraços. Você não sabe o quanto esses momentos me fizeram desejar te amar, como me fizeram culpar o maldito timing por existir.

Eu morri por dentro quando te deixei ali sozinho esperando o ônibus pra tua cidade logo depois de ter dito da maneira mais torta possível que não era você, que percebi que não poderia mais fazer aquilo contigo e comigo. Eu mal conseguia olhar nos teus olhos, eu nem olhei pra trás depois de te abraçar pela última vez porque eu não conseguiria ir de vez se não fosse assim. E voltando pra casa eu li teus poemas, aquele do Leminski que você enviou numa manhã qualquer, teus textos sobre mim e percebi que você vai ser sempre meu coxinha-poeta favorito, eu não quero nunca esquecer ou perder essas coisas, vou deixar tudo por aqui pra lembrar de você toda vez que ler com um sorriso bobo. Eu vou entender se você não quiser enviar os poemas escritos num papel como pedi, ou os teus futuros livros com dedicatória que você disse que me daria, mas deixa sempre um aviso por ai que eles tão prontos pra eu comprar e me orgulhar de você como sempre. E aquele que você me deu vai ter sempre um espaço na estante, assim como você vai ter sempre um espaço e um abraço guardados por aqui, se quiser.

Hoje eu me senti a Summer do Tom em (500) Dias com Ela, e não foi ruim porque entendi cada parte dela. Eu vi que isso não tem nada a ver com ser egoísta, filha da puta, não ter coração ou não acreditar no amor. Foi por ter coração demais que ela primeiro tentou, depois agradeceu a estadia e deixou o Tom pra que ele pudesse ser amado numa outra estação. Summer e Tom. Pedro e Anita (o poeta e a autobiógrafa). Todos eles tem um quê de amor e outro de vida.

Então vá pro bar com seus amigos, conta pra eles o quão filha da puta eu fui contigo e não me defende se eles disserem que garotas como eu não merecem caras como você, porque provavelmente eles nunca estiveram tão certos antes. Caras como você merecem um amor desses puros e sinceros, sem confusões passadas atormentando as coisas. Você merece, e eu torço tanto pra que você encontre, alguém que vai correr pra você quando ver teus poemas impressos no jornal da cidade, alguém que vai te fazer escrever muito mais textos, peças e poemas do que você me escreveu. Ah, meu anjo, caras como você merecem muito mais do que eu jamais fui capaz de te oferecer, entende? É por isso que eu não soube ficar e me desculpa por isso.

Você sabe, faz parte do meu show, meu amor.

dani

Sobre você e algumas teorias

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[Pra ler ao som de Photograph – Ed Sheeran]

Acabei de fazer a nossa combinação no horóscopo e ele disse pra eu correr, pra deixar você com teu gelo e achar alguém que dê mais certo, talvez virgem ou touro, mas com-toda-certeza-peixes-e-aquário-não-vão-dar-certo. Falei com meu melhor amigo e ele te acha um mané, desses que merecem um soco e ele não vai te perdoar nunca se eu sofrer. A minha melhor amiga te acha bonito, um gato, mas não me faz assim tão bem, então é melhor largar enquanto dá tempo. Minha professora de psicologia disse que com toda certeza você tem problemas em aceitar que gosta, ao menos um cado, de mim.

Cê sabe que até pro meu médico eu já liguei. Ô Doutor, eu não sei o que fazer mais, prende o peito, dá umas tonturas e a minha automedicação é ter ele por perto. Ele pediu uns exames, olhou com cautela pra mim e soltou logo que não tem jeito, que a medicina não acha cura pra isso e que sabe lá deus quando é que vão achar, porque ele mesmo tem certeza que não tem. Me deu dois dias de atestado e um sorriso meio bobo.

Meus pais ainda não sabem sobre você, pensei em contar dia desses, mas eles iriam querer te conhecer e jesus-maria-josé isso ia virar algo sério e como você disse ainda não ta na hora, vamos com calma. Mas ah, a galera no estágio quer marcar um barzinho qualquer dia e cara, minha chefe vai me demitir se você não aparecer. Alguns amigos disseram pra eu ir em frente que pode dar certo e se não der a-gente-se-acaba-na-balada. Até pro meu ex liguei pra contar sobre você e ele disse que só não vai dar certo se você for muito otário, mas que se não der, ele ainda me espera. Uma das minhas amigas quis me matar quando eu mandei áudio pra você na última festa, jurei que não faria mais. Fiz. Mas vale dizer que eu estava bêbada. Me disseram pra desistir de você, dos teus jogos e de qualquer que seja essa coisa que a gente tem, porque hora ou outra você vai me guardar no bolso de um jeans rasgado enquanto eu fico contigo sorrindo numa fotografia.

É que eu não acredito em horóscopo. É serio, po. Só fui dar uma checada, mas nem os astros tão com a gente. Meu melhor amigo diz pra todos os caras que aparecem que eles vão apanhar, mas na real, sabe que a culpa também é minha. Ta, a minha melhor amiga até tem razão, mas acho que ela me deve uns conselhos não praticados. E tenho lá meu pé atrás com a psicologia, o santo não bate, sabe?

A verdade é que eu sei de tudo isso, que a gente não combina, que você é a melhor e a pior coisa do meu dia sempre, e que não vale um real. Mas a parte boa de saber tudo isso é que mesmo se me oferecerem todo o dinheiro do mundo, eu não te venderia. Você tem o melhor abraço, sorriso e a tua barba me arrepia a nuca. Se isso tudo é só por agora ou por um cado de tempo, eu não quero saber.

dani

Isso tudo é amor

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[Você pode ler esse texto ao som de Not a Bad Thing – Justin Timberlake]

E se eu fosse a última voz do teu dia? Sussurrando no teu ouvido que sou um desses caras apaixonantes mesmo, mas que por tua causa minhas noites tão melhores desde aquele dia na fila da balada. Eu nunca fui de me apegar e pra ser sincero sempre detestei gente que ia pra casar, não foi diferente com você naquele dia. Te olhei de canto e você me respondeu com esse sorriso, foi ali que a gente se entendeu, sem uma palavra. Mas depois de você vieram outros e depois de mim também, eu vi.

Mas na balada seguinte eu tive a tal constatação, sabe? A gente esbarrou sem querer, eu sei que você não queria derrubar toda a bebida na minha camisa só pra ser obrigado a me proteger do frio o resto da noite. Quando percebi a minha barba já tava no teu peito e a minha noite só tinha tido você, e pela primeira vez eu não detestei isso. E desde então eu também não detesto mais filmes românticos, cinema no domingo ou o mesmo riso bobo enfeitando meu café da manhã todos os dias.

E não foi uma má ideia me apaixonar por você, então diz que pra você também tem sido bom, vai. Me manda flores e chocolate dia desses e fica esperando pra ver a reação do porteiro, vai ser engraçado, eu juro. Eu sei que teus pais ainda ficam esperando você dar a eles um neto e a gente pode adotar, eles vão gostar. A tua irmã me disse outro dia que nunca te viu tão bem, e teu sobrinho até já soltou um oi-tio-toca-aqui que me deixou meio bobo, confesso. Eu sou filho único e minha mãe sempre quis uma família maior e melhor pra gente, até soltou ao telefone um cuida-dele-filho. Eu cuido, mãe.

Isso é amor, amor na barba, no colo, nos olhos, no sorriso e no resto. Preciso de você assim bem perto, e eu disse isso quando o segurança do shopping perguntou se precisávamos de algo. Eu sei que ele não esperava essa resposta, mas é amor de todas as formas possíveis, assim como qualquer outro e ele ainda não entendeu isso. Mas não me importa tanto assim.

Meu amor não tem palavras complicadas, joguinhos de conquista e esconderijo particular. Meu amor tem você, tem nossas mãos dadas e poesia. Não é diferente de outros amores, tem carta clichê, tem cartão de bom dia e áudio de saudade no whatsapp. Tem chuva, tem sexo e tem briga. Mas não deixa de ser um amor só nosso, com um que de simples, bobo e barbudo. Só quero que você entenda que isso aqui tudo é amor, e é amor quando eu digo que te amo ou quando solto um não-faz-a-barba-nunca-mais-cara.

Então, é verdade que eu sou um cara apaixonante, meio Narciso e completamente teu. E também é verdade que eu tou aqui pra enfrentar todos os problemas que vão aparecer daqui pra frente, desde os olhares estranhos na rua até o meu tio não-sou-homofóbico-mas-não-se-beijem-na-minha-frente. Só diz pra mim que você topa, que sempre vai deitar nos meus braços e me proteger nos teus abraços. Isso é o que me importa, porque no resto a gente dá um jeito com um cado de amor.

dani

Isso é amor?

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Não foi amor, não é e nem vai ser. Eu não citei Leminski, Pessoa ou Clarice pra contar de você pras minhas amigas e nem usei um “nós” com entonação engraçada que engasga na garganta. Você e eu foi simples desde o começo, desde o primeiro esbarrão-oi-você-é-linda e continua sendo mesmo nas despedidas-volta-logo-morena. E isso me deixa boba, mas repito, não é amor. É desejo, talvez até seja paixão, mas mais que isso é vontade, é querer e um cado de saudade, também, vai.

Já me vi empolgada com o nosso não-relacionamento e também já me peguei te ignorando e te mandando à merda ou a minha cama. É que eu não me vejo apresentando você pros meus pais e olha, eu nem tive a tal da constatação, sabe? E eu sei que você é um desses moleques com uma barba apimentando o sorriso que diz meia dúzia de palavras sinceras como quem sabe que eu não vou te dizer não.

Vez ou outra até tem uma dose de amor e a gente solta umas bobagens poéticas-amorzinho, você até disse dia desses que largava o vídeo game e os bares pra acordar do meu lado por um cado de dias e me pediu pra esperar você no altar, mas é que eu não penso em igreja e roupa de gala, só nos meus dedos dançando pela tua barba.

Uma amiga disse outro dia que só é assim porque a distância complica, mas discordo. A distância ajuda a manter tudo isso acontecendo, porque vai por mim, se eu não tivesse que enfrentar algumas centenas de quilômetros pra te ver, a gente já tinha desgastado e o desejo acabado. A impossibilidade de você e teu corpo todos os dias é que me aquece e mantem a nossa não-relação existindo.

A gente ta muito-bem-obrigada nesse não-relacionamento, nessa coisa de só querer e foi-muito-bom-vê-se-volta-logo. A tua despretensão típica de qualquer homem-garoto nessa idade, a tua loucura no corpo e tua simplicidade no querer e demonstrar me fazem insistir em querer você assim.

Mas confesso que deixei o teu “oi, morena” gravado e o teu riso solto de trilha sonora pra compor o filme que passa na minha cabeça toda vez que conto sobre você, e tudo sempre termina com um “mas isso é amor?” Na verdade, eu espero que não.

dani