Um querer clichê

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[É aconselhável que você leia este texto ao som de Guiding Light]

Foi do contato pele na pele que me fez suspirar, foi quando eu te olhei nos olhos e tive certeza da gente, que eu arranquei essa vontade de estar com você e te prometer a felicidade. Mas, de todos os medos, prometer algo a alguém depois de tantas promessas, me pareceu errado demais. E é verdade que eu nunca soube medir o tamanho das minhas promessas, algo a ver com meu problema com números. Algo a ver com o meu medo.

Eu já me peguei na certeza de estar com alguém pro resto da vida. Fiz planos e confesso, você nunca esteve neles. Mas existe algo de errado em prometer um futuro quando uma única pessoa enxerga essa direção. Existe algo de errado em fazer promessas que não sabemos como cumprir. E, depois de amar tantos olhares, prometer tantos futuros, dizer tantas palavras e engolir tantas outras, eu acabo no mesmo momento clichê de dizer que te quero pra mim. Que te quero num futuro que eu não posso controlar. Te quero de mãos dadas num lugar que eu não sei onde é. Mas eu quero, porém, eu tenho problema com números, problemas com o medo. Eu tenho problemas.

Eu sou clichê e vou te pedir pra ficar quando a gente brigar. Eu vou querer o seu abraço, mas vou odiar admitir isso. E eu vou sentir medo o tempo todo que eu não tiver seus olhos pra olhar. Vou continuar insistindo que teu sorriso combina mais com o meu, e cá entre nós, cê devia ficar.

Agora, eu te quero nos meus planos, mesmo que eu tenha que inventar uma nova maneira de te fazer sorrir pra mim todos os dias e mesmo assim, alguém, um dia, me conte que não era nada disso. Mesmo que o meu medo, em algum momento possa ser maior, mesmo que eu continue achando tudo isso clichê, eu quero estar com você.

Simplesmente, porque eu adoro o sorriso que você me dá de manhã, e o jeito que você me acorda. Só porque eu adoro o jeito que você me olha, quando eu, incontestavelmente não consigo controlar o que sinto.

Só porque o contato pele na pele me fez suspirar, me fez te olhar nos olhos e ter certeza da gente.

Tathiane Fernandes