Um café, por favor!

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“Me traz um café, por favor?”

Sentou, jogou a mochila na cadeira ao lado e enquanto esperava seu café, começou observar as pessoas que entravam e saiam dali, os casais, os sérios, os que sorriam. Ali naquele lugar existia todo tipo de pessoa, não era cotado por classe social e talvez por isso ela gostasse tanto. Uma garota de jeans, moletom, mochila e cabelo bagunçado, passava despercebida. E ela gostava disso, dessa sensação de liberdade.

Passava ali todos os dias depois do trabalho, só pra observar todo tipo de comportamento humano. Já vira um casal nascer, outro terminar, vira jovens e velhos sorrindo por amor, também já conhecia o cara que ia todos os dias só pra observar a jovem que trabalha lá e se perguntava quando ele teria coragem de se declarar. Mas o que mais a atraia ali era que ela podia deliciar-se com seus pensamentos e ao mesmo tempo observar sorrisos de todos os tipos. Tímidos, escancarados, falsos, surpresos, frios, espontâneos.

O garçom interrompeu seus pensamentos: “Seu café moça. Deseja mais alguma coisa?”. Sim, desejava saber por que o mundo é tão complexo, entender todas as pessoas, desejava saber todos os sentimentos do mundo, descobri-lo e desejava infinitamente conhecer os equívocos da vida. “Não, por enquanto mais nada, obrigada!”.

Enquanto tomava seu café, parou pra observar um jovem, ele parecia exausto e lágrimas escorriam de seu rosto enquanto conversava ao telefone: “… mas eu não sei o que aconteceu, estava tudo bem e de repente ela me disse que precisava de um tempo, eu… eu não sei o que fazer, ela… só foi embora!” Mais um, pensou ela. Mais um deixado à beira do caminho por alguém que dissera segurar sua mão pra sempre. Por que as pessoas ainda acreditam em pra sempre? Ela queria, como em todas as outras vezes, ajudar o jovem, queria que ele lhe contasse sua história, ela queria entender o motivo de tanto sofrimento. Mas mais uma vez terminou seu café e permaneceu em sua mesa. Pensou no quanto sofria ao ver todos os dias pessoas se enganando pelos sentimentos humanos. Pegou um guardanapo e escreveu “Ela não vai voltar, mas você vai ficar bem, depois da dor. (Ao rapaz da mesa 23)”

Pegou o dinheiro, deixou na mesa junto ao guardanapo. Colocou sua mochila nos ombros e saiu pra talvez repetir a dose amanhã.

Do café ou da dor.

dani

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