Um querer clichê

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[É aconselhável que você leia este texto ao som de Guiding Light]

Foi do contato pele na pele que me fez suspirar, foi quando eu te olhei nos olhos e tive certeza da gente, que eu arranquei essa vontade de estar com você e te prometer a felicidade. Mas, de todos os medos, prometer algo a alguém depois de tantas promessas, me pareceu errado demais. E é verdade que eu nunca soube medir o tamanho das minhas promessas, algo a ver com meu problema com números. Algo a ver com o meu medo.

Eu já me peguei na certeza de estar com alguém pro resto da vida. Fiz planos e confesso, você nunca esteve neles. Mas existe algo de errado em prometer um futuro quando uma única pessoa enxerga essa direção. Existe algo de errado em fazer promessas que não sabemos como cumprir. E, depois de amar tantos olhares, prometer tantos futuros, dizer tantas palavras e engolir tantas outras, eu acabo no mesmo momento clichê de dizer que te quero pra mim. Que te quero num futuro que eu não posso controlar. Te quero de mãos dadas num lugar que eu não sei onde é. Mas eu quero, porém, eu tenho problema com números, problemas com o medo. Eu tenho problemas.

Eu sou clichê e vou te pedir pra ficar quando a gente brigar. Eu vou querer o seu abraço, mas vou odiar admitir isso. E eu vou sentir medo o tempo todo que eu não tiver seus olhos pra olhar. Vou continuar insistindo que teu sorriso combina mais com o meu, e cá entre nós, cê devia ficar.

Agora, eu te quero nos meus planos, mesmo que eu tenha que inventar uma nova maneira de te fazer sorrir pra mim todos os dias e mesmo assim, alguém, um dia, me conte que não era nada disso. Mesmo que o meu medo, em algum momento possa ser maior, mesmo que eu continue achando tudo isso clichê, eu quero estar com você.

Simplesmente, porque eu adoro o sorriso que você me dá de manhã, e o jeito que você me acorda. Só porque eu adoro o jeito que você me olha, quando eu, incontestavelmente não consigo controlar o que sinto.

Só porque o contato pele na pele me fez suspirar, me fez te olhar nos olhos e ter certeza da gente.

Tathiane Fernandes

Já faz um ano amor

esquela

[Você pode ler este texto ao som de Jason Mraz – I’m Yours]

Já faz um ano amor!

Já faz um ano que te encontrei naquele bar de rua. Estava tão determinada a conhecer o dono daquele sorriso encantador que nem a falta de um carro me deteve. Assistimos aquela luta horrível e bebemos muita cerveja. Apostei um lanche com você, com o intuito de te ver de novo. Você me chamou pra ir no banheiro e roubou meu coração pra toda vida!
Já faz um ano amor!
Já faz um ano que fomos naquele show lotado, dançamos a noite toda e nos amamos até o dia nascer. Sem máscaras, sem receios, sem vergonhas. De entrega simples e pura. De alma e coração. Eu mal te conhecia, mas algo dentro de mim dizia quando eu olhava nos seus olhos: ‘obrigada por vir! você finalmente chegou, te esperei por muito tempo!’.
Confesso que até pensei em fugir, mas quando me dei por mim você já era o dono dos meus pensamentos de toda manhã. Você havia domado meu coração e conquistado o amor presente na minha alma.
Já faz um ano amor!
E este foi o ano mais colorido da minha vida, em que pude aprender o significado de palavras simples como cumplicidade e entrega (às vezes a gente acha que conhece uma coisa, quando na verdade nunca experimentou). Parece clichê, mas com você entendi o que os contos de fada querem dizer com um amor que nos tira o ar e nos faz perder o chão.
Com você eu realmente descobri (e continuo a descobrir) a melhor parte de mim, e pude dá-la a você. Deve ser porque a gente se abraça de corpo e alma. Ou porque a gente se entende com simples gestos. Ou porque a gente se transborda de um jeito inacreditável, de uma forma indescritível.
Já faz um ano amor!
Um ano que construimos o relacionamento mais lindo e puro que eu já vivi. Um ano cheio de magias e alegrias. Um ano de tensões que foram acalentadas com abraços de ‘você consegue’. Um ano mais do que maravilhoso.
Já faz um ano amor!
E que seja apenas o primeiro ano de uma vida toda que desfrutaremos juntos, cheia de aventuras, sorrisos, lutinhas, cosquinhas e claro, muito amor! E como uma promessa, fica a canção: ‘eu vou te amar nas outras vidas que virão!’. Porque os anjos todos já abençoaram nossa união.
Já faz um ano amor!
Um ano que seu amor me preenche, me completa e me trasnborda! Um ano que aprendi a ser inteira e a ser metade. Um ano! E é apenas o primeiro ano.
É, já faz um ano amor!
Agora deixa de lado esse celular e vem comemorar esse dia comigo, de um jeito que só a gente conhece.
Te amo infinito potão!

 

*O Autor preferiu não se identificar

Ela escolheu ficar comigo

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A tão esperada, a deliciosa, a charmosa e mais desejada da semana chegou: ah sexta-feira, sua linda.
Para os ansiosos de plantão o ponteiro do relógio ainda nem marca 18h, mas nos grupos de whatsapp já estava tudo combinado, happy hours, festinhas, baladas, esqueminhas e tudo mais que uma sexta tão aguardada poderia proporcionar. Eu, de bobeira, fico aqui imaginando quantos copos estão sobre as mesas de botecos por aí, imagina o tanto de cervejas geladíssimas sendo abertas pelos garçons neste exato momento. Ah, e os deliciosos petiscos pra dar aquela forrada no estômago enquanto bebem, sendo preparados por mãos que dão um toque de sabor divino, são tantas as opções do “esse é o melhor prato da casa” que poderíamos fazer um concurso de melhor prato para bêbados de bares.
Enquanto muitos se divertem, jogam conversas fiadas fora, riem de histórias passadas, algumas outras centenas de pessoas se divertem como podem, do jeitinho como escolheram ou até mesmo do jeito que fluíram as notas musicais do dia, assim vão, seguem cada um ao seu modo. Entre um copo e outro de líquidos beeeem gelados, eis que estou aqui com o rosto inchado, parecendo o Kiko, após a extração dos últimos dois sisos – agora sim se foi
meu total juízo hahaha, fico deitado ereto com uma compressa de gelo – na verdade é uma sacola com gelo dentro – e sigo as recomendações dela: “coloca algum pano para não queimar a bochecha”.
Enquanto fico imobilizado e não posso fazer muitos movimentos, afinal segundo o dentista “tem que ficar de repouso”, minha namorada está ligada no 220v, passa pano na sala, quarto e cozinha, enche e esvazia baldes, lava banheiro, parece a Marinete daquele seriado, ‘A diarista’. A panela no fogão está fervendo alguns legumes, o cheirinho bom começa a propagar por todo o apartamento. Daqui apenas observo e sinto esse momento, aprecio esse companheirismo dela comigo. Como pode alguém escolher perder uma sexta animada para ficar cuidando, mimando, fazendo companhia a alguém? Metaforicamente pensando: uma linda borboleta livre decide pousar e ficar em seu jardim. São fatos assim do cotidiano que me fazem crer que é essencial a parceria dentro do relacionamento. São concessões, troca de afeto, carinhos e respeito, o amor é primordial. Estar com alguém vai além de apenas um status no Facebook, é muito além daquilo que quem está do lado de fora não consegue enxergar. Nas redes sociais a grande maioria dos casais só mostram o seu melhor, jantares caros, presentes de luxos e viagens. Não que isso seja ruim, quem sou eu para julgar. O ponto que quero demonstrar é que as melhores coisas de um relacionamento são os momentos vividos exclusivamente para fazer feliz um ao outro. Aqui dentro de mim onde os sentimentos se alojam a felicidade é maior ainda e ninguém pode vê-la. Por mim mesmo não pode ser tocada, mas sim sentida, por dentro sinto e por fora aprecio essa linda moça que aqui ficou e preferiu estar comigo nessa tão aguardada sexta. E não troco por nada a sua companhia.

mo

Carta pra ela

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[Você pode ler esse texto ao som de He Can Only Hold Her – Amy Winehouse]

Boa noite, pequena.
Eu to aqui porque sei que tu tens se culpado de tudo que aconteceu com a gente e tudo de depois da gente. Dos outros caras e de mim. Não vim assumir a culpa e muito menos representar todos os caras que tiveram o coração partido por você, cada um sabe a dor que foi não ter feito você ficar, e ah, meu bem, a gente sabe que foi difícil superar (ou ainda é), porque esse teu sorriso tem um efeito gigante no nosso peito.
Mas to aqui pra te contar que a culpa não é toda tua, mas também não é só o tal timing que tu insiste em culpar junto. A verdade é que a gente não foi capaz de te fazer perder o medo. Uma pena, porque eu queria tanto ter sido esse cara, e queria mesmo. Os outros também, eu sei.

Tu tem medo, guria.

Um medo absurdo de amar. De entregar tudo que tu tem e se jogar de cabeça no escuro. Parace aquela campanha de refrigerante, mas não é, é que o amor é se jogar no escuro mesmo. E tu tem medo do escuro, de não enxergar o que tem pela frente e não ter certeza que a estrada é segura. E o mais incrível é que tu acha que não, e a gente também acha que não no começo. A gente te encontra nesses bares e shows por ai, vê tua cara de mulher independente, saca esse teu riso meio inocente e malicioso ao mesmo tempo, teu jeito de quem dança solta na pista enquanto grita I don’t care, I love it com uma amiga. A gente encontra tudo isso em ti e fica crente que tu não vai nem ver o olhar que te admira, que a gente vai passar batido porque essa guria esbanja por aí a certeza de quem é.

Bobagem minha, bobagem nossa.

Ta, nem tanto. É verdade que tu não precisa mesmo da gente, que ta acostumada com a solidão e que gosta desse teu conforto. Mas tu não tem noção nenhuma do efeito que causa. E dentro de si guarda um medo danado de gritar tuas incertezas por aí. Um bocado de incertezas maquiadas de meias verdades e um cado de marra.
A gente te encontra pronta pra tudo, acha que tu ta se jogando por inteira com a gente porque tu és esse furacão, essa equação que a gente quer resolver a todo custo, mesmo sendo de humanas. A gente te vê com a vida pronta sozinha, com tanta verdade e tanta certeza que não tem espaço pra gente ali, mas tudo bem, eu me aperto, me ajeito, fico aqui assim mesmo.

Mas ai tu não fica.

Tu larga tudo e vai, justo quando a gente tem certeza de que ta tudo certo. E ai só sobra a falta, a falta das tuas conversas, dos teus pedidos e do teu sorriso. E a gente fica tentando entender, por que não era eu?
Mas a verdade, meu amor, é que poderia ter sido qualquer um de nós, e pode ser ainda. Mas precisa ser você, também. Você precisa ser você, por ti e por um de nós. Tu é aquela mulher independente, cheia de vida e de certezas que a gente viu na pista de dança. Mas também é a guria confusa, com um cado de dúvidas e medos, que acostumou a dormir no escuro, mas tem que fechar o olho logo pra não reparar que não tem luz nenhuma acesa. Você precisa ser você e não ter medo de assumir teus medos. Não precisa esconder a falta de coragem pra ir sozinha naquele compromisso chato ou pra assumir que não quer o que teus pais querem pra ti.
Meu bem, não serão mil poemas, umas canções, um sorriso bonito e uma barba que te farão ficar por um de nós. Não é nem a certeza de que a gente não vai te magoar ou o abraço apertado. É tu que tem que escolher ficar por nós. Por ti. Pela incerteza no que vai dar e pela certeza de ser um mar de confusões, de ser amor.
Enquanto você não for você por fora e por dentro, não serei eu, nem o cara do teu trabalho, o poeta, o matemático ou o cara do jardim de infância. Enquanto tu não perder teu medo de amar, a gente não vai bastar pra te fazer ficar. Porque a verdade é que tu nunca ficou por medo da gente acabar te vendo assim, nua como nunca antes.

Como só tu se vê.

dani

Faz bem, é bom

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Tem hora que a gente só quer um pouco de paz, um pouco de cama. Alguém prum abraço, um filme, debaixo da coberta, sabe como é? Uma hora a gente cansa de ser sozinho no mundo, de se bastar, de ser feliz do jeito que tá. A gente quer companhia, não dos amigos, não da bebedeira. A gente quer colo, igual de mãe. Carinho igual de irmão. A gente quer se sentir protegido do mundo, a gente quer se sentir especial não só pra gente, pra família, pros amigos. A gente quer ser o motivo de um sorriso, de uma mensagem. A gente quer fazer sentido e não se sentir um grãozinho de areia no meio da tempestade.

Ser feliz sozinho é bom, faz bem, bem pra gente, bem pros outros. Mas tem hora que a gente quer ser sozinho junto, quer compartilhar solidão, alegria, emprego novo, ou um colo. A gente que ir pra algum lugar e encontrar o amor dessa vida, sem medo de ele ir embora porque tem tanta coisa ainda que queremos ver. Tanto lugar que queremos conhecer. Tanta gente que queremos olhar e nos imaginar envelhecendo juntos. Tantos amores platônicos, distantes, retribuídos ou não. Não importa se não der certo dessa vez, ou na próxima, ou ainda na outra. Tem hora que a gente quer ir sem medo do que pode e vai acontecer. A gente quer ser imprudente pra poder olhar pro outro e dizer ele é o amor da nossa vida, mesmo que ano que vem não seja mais. Queremos fazer grandes planos em cima de pessoas pequenas, sim! E porque não?

Ontem a gente se bastava sozinho, com um copo de bebida e algumas notas musicais, hoje a gente quer se bastar a dois com direito a chá quente num dia frio ou piquenique no parque, pode ter bebida de água ardente, pode ter lual e pode ter festa também, mas a dois. Juntos, porque a gente quer companhia pra voltar pra casa, pra rir atoa, pra ver sentido naquilo que só faz sentido quando a gente tem alguém pra dividir um cafuné.

Amanhã a gente não sabe, pode ser outro, pode ser ninguém e a gente pode estar sozinho no mundo de novo. Mas hoje, a gente só queria ter de quem escrever, com quem dividir esse pedaço de papel. Hoje a gente só queria compartilhar isso que sente e ter alguém pra dividir a solidão. Faz bem, é bom. Um apartamento vazio, uma sala no cinema, aquele canto no sofá tocando vilão.

Solidão boa essa que a gente divide.

Solidão boa essa que a gente não precisa deixar de morar na gente pra morar no outro.

tathi

Eu só queria que você voltasse para casa

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[Você pode – e deveria – ler esse texto ao som de Flesh and Bone]

Eu já sabia que a gente não ia dar certo. Depois de todas as tentativas eu já sabia. Mas eu insistia porque dentro de mim eu queria estar errada. Mesmo com o mundo todo me apontando os vários motivos, mesmo com as quantidades incontáveis de noites em claro, eu queria estar errada porque eu queria ter você.

Você podia não ser a pessoa perfeita e eu podia saber de todos aqueles seus defeitos, saber que existiam infinitos outros que viriam, mas eu estava sempre em busca do seu melhor. Eu queria todos os seus sorrisos mesmo que por causa deles eu tivesse que enfrentar todas aquelas noites frias que eu enfrentei. A chuva, o trânsito. É incrível como nada podia fazer com que eu parasse. Nem mesmo você poderia estragar a imagem que eu formei de nós dois juntos. Você era e sempre foi o homem que eu queria encontrar quando chegasse em casa, que iria me acompanhar na bebedeira, que iria dançar comigo e me ajudar a encontrar o caminho de casa. Mas você não foi, e não adianta colocar a culpa no timing, na astrologia ou na garota nova que apareceu. O universo não tem culpa nenhuma, nem nossos pais, nem aquela nossa briga.

Dia desses eu li o seu-omeu-onosso signo e pontuei: A gente não ia dar certo mesmo. Mas eu estava errada, a culpa não foi porque eu nasci em outubro e você em maio. Não foi porque você é instável e eu preciso de segurança. Não é porque eu sou de libra e você é de gêmeos. Poderia ter sido com outros signos, em outros momentos das nossas vidas, poderia ter sido com a garota mais linda da sua escola ou com o nerd babaca do meu trabalho. Mas não foi. Foi com a gente. E agora, terminou.

Não tem mais eu-você e nossa história confusa. Não tem mais texto meu e não tem mais ninguém escrevendo sobre você. O trânsito se dissipou, levou embora o sorriso dos sorrisos, a incerteza, a euforia dos teus dedos passeando pelas minhas costas. Deixou por aqui as lembranças dos copos quebrados, das portas batidas, do meu coração partido quando você não olhou para trás.

A gente poderia ter tentado mais uma vez, como tentamos tantas outras, mas desta vez você se foi, e eu sei que não vai mais voltar.

E eu sei disso, assim como sabia que a gente nunca iria dar certo, mas eu não queria que fosse assim, porque no fundo eu queria mesmo, era ter você.

“And I am more than this frame, i feel hurt and I feel shame, i just wish you would feel the same, and I am more than these bones, i feel love, i feel alone, i just wish you would come home”

tathi

Você passou, amor.

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[Você pode ler esse texto ao som de Good Thing – Sam Smith]

Te escrevi uma vez que a cama ficava fria sem você e que isso me incomodava quase tanto quanto a sua escolha de ir. Te disse num dia que você era o único calor capaz de me tirar de casa num domingo antes das 10h da manhã. Te contei meus medos e aquela vontade de ter teu peito como travesseiro pra sempre. Mas passou, amor. Passou e eu não guardo ódio de ti aqui, apesar de ainda não entender o que aconteceu pra você desistir de nós daquele jeito.
Você passou, meu bem. Como passa qualquer chuva de verão. Por mais insistente que tenha sido tua chuva nos meus dias, e por mais bonito que tenha sido. Você passou e hoje o dia ta tão lindo que não da pra ficar presa no que a chuva me causou ontem. Você passou e a pessoa que eu era perto de você não era mesmo eu. A culpa nem é tua, moreno. Eu é que achei que se me transformasse um cado numa dessas gurias simples ia te fazer ficar. Mas não era eu, porque eu sou tempestade, meu bem. Eu sou inteira confusão e grito incertezas por ai. Eu gosto mesmo de jazz & blues na quinta e no sábado funk carioca.
Você passou e to tão bem só comigo, a cama tem mais espaço e meus livros finalmente tem páginas marcadas de café e uma tarde só pra eles. Você passou e agora ta tudo mais a minha cara, pintei as paredes de um amarelo vivo e decorei com todas as músicas e filmes que gosto, sem medo de você achar tudo colorido demais quando chegar. Apesar de toda dor que ficou quando você foi sem nem se despedir, com um volto amanhã que nunca foi verdade, apesar de ter gostado tanto de você e ter desistido de entender como era possível, você passou. Passou e eu só guardo carinho, de tudo que a gente viveu e dividiu, do sexo e do abraço. Mas já foi, não quero ligar o repeat.
Você passou e depois de tanto tempo percebi que eu posso até gostar do verão, mas minha estação favorita ainda é o inverno. Você passou e notou isso no nosso último esbarrão por ai, disse que eu tava diferente, mais vibrante e feliz. É porque você passou e aqui dentro tudo ficou mais eu depois, ta tudo mais colorido e com um disco novo tocando.

Você passou e a minha vida ta aproveitando cada estação como se deve.

dani